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O Fundador

Luiz Augusto de Oliveira Veiga

Centro Nova Vida foi criado em 13.08.1993, em decorrência do processo de recuperação de Luiz Augusto de Oliveira Veiga, um homem que passou de empresário a mendigo. De mendigo a diretor de uma das entidades assistenciais mais respeitadas do Pará, especializada na recuperação de dependentes químicos.

“A minha história de vida é muito sofrida. Minha mãe e meu pai tinham um projeto de vida pra mim, queriam que eu fosse um profissional da área de saúde. Fui seminarista, com formação religiosa de berço. Fui educado com todo conforto, nos melhores colégios e era um dos melhores alunos.

No colégio, eu me identifiquei com o pior aluno. Aquele notado pelas coisas erradas que fazia. Quando eu tirava uma nota boa todo mundo me recriminava, me chamavam de filhinho de papai..., coisas do gênero e isso me magoava bastante. Isolado e deprimido, tornei-me uma ilha. Até que um dia, houve uma festa no meu colégio e um colega apareceu com uma garrafa de vinho, me ofereceu, provei, mas não gostei. Então, ele diluiu com água e no terceiro copo eu havia alcançado o meu primeiro porre e tive assim minha primeira “namorada”. Em pouco tempo, pra tudo o que eu fazia a bebida tinha que estar presente, pois com a bebida eu esquecia os entraves da timidez e vergonha. Ainda com 17 anos, puxei uma arma dentro do colégio para dar um tiro no diretor e meus pais me mandaram para o Rio de Janeiro para ir morar com um tio, que era Pastor da Igreja Assembléia de Deus. Mas, ele queria me mudar a força. Então eu fugi pro Flamengo e fui vender drogas na zona de prostituição.

Luiz Augusto de Oliveira Veiga

Sendo Técnico em Contabilidade, fundei uma empresa, me casei e tive três filhos. Mas, nunca tive a responsabilidade de um pai, pois nunca carreguei um filho no colo. Minha empresa imobiliária tinha um escritório em Belém, outro em Macapá e chegou a contar com 140 corretores.!

Próximo dos 30 anos de idade, eu trabalhava como vendedor autônomo quando meu pai morreu deixando uma herança para mim e meu irmão.

Perdemos tudo, ele um alcoólatra e eu um drogado, casas, apartamentos, terrenos, etc.

Eram perdidos em noites de farras. Fui parar na sarjeta, tornei-me um mendigo, passei a comer comida catada nas latas de lixo, cheguei a injetar água da vala nas veias, para matar minha compulsão pela droga, cometendo assaltos para sobreviver, fui pego pela polícia inúmeras vezes e quando lavava carros na rua sentia repulsa em ver meu reflexo nos automóveis.

Lembro que um dia senti saudades da família e decidi ir à minha casa, mas também fui com intuito de roubar alguma coisa de qualquer valor, foi quando a minha filha inocentemente bateu essa fotografia para mostrar a mãe que estive por lá.

Luiz Augusto de Oliveira Veiga

Hoje esta foto serve como reforço para eu não esquecer minhas “raízes”, a sarjeta. Eu abandonei tudo que tinha e passei 28 anos da minha vida “casado” com a droga. Tive três filhos, mas nunca tive um convívio amistoso com nenhum. Só por hoje caminho para 17 anos sem drogas, sem crime, sem morte, mas, em recuperação estou me reaproximando dos meus filhos e da minha família, em busca do meu Eu”.

A grande transformação começou quando o Economista Sérgio Leite, um antigo cliente da empresa de Luiz Veiga o encontrou entre moradores de rua nas proximidades do Centro Arquitetônico de Nazaré – CAN, e sensibilizado pela situação o levou para um tratamento de dependência química. Decidido a recuperar 28 anos de sua vida dedicados ao vício, Veiga lutou muito para vencer os incômodos que o organismo sente pela ausência de droga, fenômeno conhecido por “Síndrome de Abstinência”. Não suportando tais sensações, atendendo sugestão de sua ex-professora Cândida Rosilda de Melo Oliveira, Luiz Veiga passou a trabalhar como voluntário no Pronto Socorro Municipal de Belém. No PMS, em contato direto com muitas vítimas de armas de fogo, facadas, graves acidentes em decorrência do uso de drogas, pensava que poderia ser eu ali, me via naquele retrovisor. Muitas pessoas morreram nos meus braços sem que eu pudesse fazer nada. Algumas delas suplicavam “liga pra minha mãe!” e “Doutor, não me deixa morrer aqui!”. Perceba como às vezes a vida nos trata com profunda ironia, justamente a profissão que meus pais sempre projetaram pra mim pois, sou filho de uma médica obstetra.

Na época eu pesava apenas uns 42 Kg e fui perceber na dor alheia o valor de estar vivo. Comecei a tomar gosto pela ocupação voluntária e esta ocupação me fez tomar gosto pela vida. Agora eu trabalho com a prevenção e recuperação.

Em contato novamente com a Profª Cândida e ela perguntou: “Você não quer fazer um trabalho para recuperação de outras pessoas?”. Eu aceitei o desafio.

A proposta do Centro Nova Vida foi lançada durante uma entrevista em um programa de TV e logo conquistou a simpatia da comunidade e de empresários. No começo, pela empolgação e pelo fato de ter saído da mendicância, eu aproveitava o horário em que minha mulher estava trabalhando e meus filhos na escola e levava moradores de rua para minha casa para lhes dar banho. Em 1995, o Centro foi autorizado para realizar o trabalho de prevenção. Em 2000 saiu o credenciamento definitivo como Centro de Internação, emitido pelo Conselho Estadual de Entorpecentes do Pará. Hoje, o Centro Nova Vida conta com uma área de 16.000 m2. O seu programa de tratamento não utiliza medicamentos e segue a normas estabelecidas pela Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas e pela Federação Brasileira do Amor-Exigente (ambas com sede em Campinas). Além das normas emanadas da Secretaria Nacional Antidrogas-SENAD e da ANVISA. As diversas abordagens do tratamento podem ser observadas nos diversos link's dessa homepage.

* O autor liberou os direitos deste e de outros textos desde que citada a fonte. Aceito convites para participar conferências, seminários, depoimentos, etc. (91) 9983-0332

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